Abstenção no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi de 19,21%, abaixo dos 20,6% registrados em 2022. (Foto: Instagram)

A abstenção no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25.out.2026) foi de 19,21%, a menor taxa registrada no Brasil em duas décadas. Em 2006, 19,0% dos eleitores não compareceram às urnas. O índice deste ano ficou 1,4 ponto percentual abaixo do observado na disputa de 2022, quando 20,6% do eleitorado deixou de votar.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
No primeiro turno de 2026, realizado em 4 de outubro, a abstenção havia alcançado 21,1%. A redução de 1,87 ponto percentual entre as duas etapas indica maior comparecimento na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
A queda ocorreu após as campanhas dos dois candidatos intensificarem as mobilizações de rua na reta final. Caminhadas, manifestações e atos públicos foram realizados em diferentes regiões do país para estimular o comparecimento de apoiadores e buscar votos de pessoas que não participaram da primeira rodada.
A campanha de Lula impulsionou esse movimento depois de o candidato terminar atrás no primeiro turno, resultado que surpreendeu a ele e seus aliados. Apoiadores do petista organizaram atos em pelo menos 37 cidades, incluindo universidades e concentrações em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife e Curitiba. A mobilização também chegou às redes sociais: o deputado federal André Janones (Rede-MG), aliado do presidente, criou o canal de mensagens Exército do Lula, que reuniu 10 milhões de pessoas e foi usado para coordenar apoiadores na tentativa de convencer eleitores indecisos.
A campanha de Flávio respondeu com o Bloquinho do 22, que reuniu apoiadores em várias regiões do país. Também promoveu um ato na avenida Paulista ao lado do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos dias seguintes ao primeiro turno, Flávio havia concentrado esforços na articulação do apoio formal de Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), terceiro e quinto colocados. Depois das primeiras mobilizações, Lula avançou nas pesquisas.
A abstenção nos segundos turnos presidenciais ficou acima de 20% desde 2010, quando 21,5% dos eleitores não votaram na disputa vencida por Dilma Rousseff (PT) contra José Serra (PSDB), a maior taxa de uma segunda rodada desde a redemocratização. Em 2014, o índice foi de 21,1%, na eleição entre Dilma e Aécio Neves (PSDB); em 2018, chegou a 21,3%, quando Jair Bolsonaro, então no PSL, derrotou Fernando Haddad (PT). Em 2022, caiu para 20,6%, ligeiramente abaixo dos 20,9% do primeiro turno, quando Lula venceu Jair Bolsonaro (PL). Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, o menor percentual em um segundo turno foi registrado em 1989: 14,4%, na disputa entre Fernando Collor de Mello (PRN) e Lula (PT). Em 2002, a abstenção foi de 20,5%; em 2006, de 19,0%. Não houve segundo turno em 1994 nem em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu na primeira rodada.








