Citigroup e BCA rebaixam ativos brasileiros após reeleição de Lula

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Após a reeleição de Lula, o Ibovespa caiu 13,88% e o dólar fechou a R$ 5,403 na segunda-feira (26.out.2026). (Foto: Instagram)

Citigroup e BCA Research reduziram suas recomendações para ativos brasileiros após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser reeleito. Na segunda-feira (26.out.2026), dia seguinte à eleição, o Ibovespa caiu 13,88%. O dólar encerrou a sessão a R$ 5,403, com alta de 8,21%, após oscilar entre R$ 5,392 e R$ 5,605.

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As instituições avaliam que piorou a relação entre risco e retorno de ações, títulos e câmbio, diante da revisão das perspectivas para a disciplina fiscal e as reformas estruturais nos próximos 4 anos de governo Lula. Segundo informações da Reuters, investidores temem uma política fiscal mais frouxa, o enfraquecimento da dinâmica da dívida pública e avanços lentos nas reformas econômicas.

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O Citigroup encerrou suas apostas na valorização de ativos brasileiros, retirou a recomendação de exposição acima da média às ações do país e fechou sua posição comprada no real. Em nota, afirmou que, embora os preços pudessem cair além dos níveis considerados justos, o mercado estava comprado antes do resultado, tornando plausível uma reação excessiva. Diante da eleição, a instituição decidiu encerrar sua posição de risco no Brasil.

A BCA Research rebaixou o Brasil em relação aos mercados emergentes. Para a instituição, a vitória de Lula encerrou a perspectiva de um governo ortodoxo que promoveria melhorias estruturais nas contas públicas e no potencial de crescimento. A recomendação para ações passou de neutra para exposição abaixo da média, por causa do maior risco de inadimplência, das projeções mais fracas de crescimento e da pressão inflacionária ligada à moeda desvalorizada. Os títulos públicos em moeda local e o crédito soberano também caíram de exposição acima da média para abaixo da média, devido à piora da dívida. O JPMorgan já havia reduzido suas recomendações para o real e os títulos públicos, de exposição acima da média para alinhada à média.

Lula foi reeleito no domingo (25.out), com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado surpreendeu o mercado: Flávio havia terminado o primeiro turno à frente e liderava as pesquisas para o segundo. Investidores passaram a rever as expectativas para a política fiscal, os juros e o câmbio no novo mandato. A expectativa era de que um eventual governo de Flávio tivesse maior disciplina nas contas públicas.

A B3 interrompeu as negociações após o Ibovespa recuar mais de 10% em relação ao fechamento anterior. Nesse patamar, as regras determinam uma pausa de 30 minutos. O circuit breaker é usado em momentos de volatilidade intensa para que investidores reavaliem decisões e para reduzir o risco de movimentos desordenados. A última interrupção havia ocorrido em março de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando o mecanismo foi acionado 6 vezes em meio à turbulência internacional.

A incerteza sobre as decisões fiscais do governo e possíveis contestações judiciais ao resultado também preocupam o mercado. O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin prorrogou até as 19h o horário de votação por problemas no deslocamento de eleitores em diferentes cidades. A decisão pode ser questionada na Justiça, embora as campanhas de Lula e Flávio tenham pedido a extensão. Após a derrota, Flávio afirmou que poderia pedir a anulação da eleição e, depois, disse que pediria a cassação da chapa Lula-Alckmin.

Na segunda-feira (26.out), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende mudar a legislação ou a Constituição ainda neste ano para buscar o centro da meta fiscal. Segundo ele, a proposta poderá esclarecer as regras de contingenciamento e permitir ajustes nas despesas nos 2 últimos meses de 2026.