
Celso Cunha afirma que a energia nuclear poderá ser necessária para atender à demanda contínua dos data centers no Brasil. (Foto: Instagram)
O Brasil não deverá conseguir atender à demanda de energia dos data centers prevista para as próximas décadas sem recorrer também à geração nuclear, afirma Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan). Para ele, essa fonte pode ajudar a garantir o fornecimento contínuo exigido pelos centros de processamento de dados.
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Em entrevista, Cunha disse que o uso da energia nuclear cresceu no mundo, especialmente com a expansão dos data centers. A fonte é apontada como uma forma adequada de assegurar eletricidade sem interrupções. Estimativas da Moody’s indicam que o mercado brasileiro pode movimentar até US$ 3 trilhões nos próximos 5 anos, com investimentos em inteligência artificial, computação em nuvem e capacidade computacional.
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Representantes dos setores de infraestrutura digital e energia elétrica veem o Brasil como um possível principal destino de data centers na América Latina. A matriz predominantemente renovável e a possibilidade de combinar diferentes fontes favorecem o país na disputa por investimentos estrangeiros. Ainda assim, o volume de energia exigido pelos empreendimentos é considerado um desafio para o setor elétrico.
Essas instalações consomem muita energia e funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, por isso precisam de eletricidade contínua, confiável e competitiva. “Alguns milissegundos sem energia em um data center custam mais caro do que uma usina nuclear inteira”, afirmou Cunha. Segundo ele, a geração nuclear é firme e mais limpa do que fontes renováveis como eólica e solar, utilizadas por data centers.
Cunha mencionou a possibilidade de a demanda chegar a 70 gigawatts até 2050 e disse que seria impossível atendê-la sem considerar a energia nuclear. O Brasil encerrou o primeiro semestre com cerca de 706 MW de capacidade instalada em data centers. Para o executivo, será necessário recorrer a várias fontes, sem depender exclusivamente do gás ou da energia nuclear.
Uma alternativa para fornecer energia nuclear a essas instalações seria o uso dos SMRs, sigla em inglês para Pequenos Reatores Modulares. Cada unidade costuma ter potência entre 50 MW e 300 MW, abaixo da capacidade das usinas nucleares tradicionais. Os equipamentos são fabricados em módulos e montados no local de operação, processo que pode reduzir custos e prazos de instalação.
Cunha comparou a compra dos reatores à aquisição de eletrodomésticos: as unidades poderiam ser instaladas gradualmente e em paralelo, conforme a necessidade do projeto. O setor nuclear também tem interesse em atender empreendimentos enquadrados no Redata, regime especial de tributação que concede benefícios fiscais para a instalação de data centers no Brasil.
A lei foi sancionada, mas ainda depende de regulamentação em pontos como a definição das fontes de energia aceitas. A proposta inicial previa incentivos apenas para instalações abastecidas por energia 100% limpa; uma alteração no Senado incluiu fontes consideradas de baixa emissão, abrindo espaço para o gás natural. Cunha disse que a discussão não o preocupa e avalia que o texto também contempla a energia nuclear, embora não a cite diretamente. Uma portaria ministerial com as fontes permitidas deve ser publicada nas próximas semanas.








