
Abras registra alta atípica no consumo de alimentos e considera possível que parte dos recursos antes destinados às bets tenha sido direcionada às compras domésticas. (Foto: Instagram)
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) detectou uma alta atípica no consumo das famílias durante as duas primeiras semanas completas de outubro. A entidade considera possível que parte do dinheiro antes destinado às apostas esportivas, conhecidas como bets, tenha sido direcionada à compra de alimentos. O avanço nas vendas foi observado em todas as regiões e em diferentes formatos de loja.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
A Abras defende que a proibição das apostas seja mantida. O tema será discutido novamente em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para 3 de novembro. Na semana de 5 a 11 de outubro, o varejo alimentar cresceu 6,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. De 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Segundo a associação, os resultados superaram o padrão de anos anteriores e não ficaram restritos a uma região ou a um tipo de estabelecimento. O aumento apareceu em supermercados, hipermercados, mercados de vizinhança e atacarejos. “Esse aumento foi generalizado, não esteve localizado em uma região ou outra, nem em segmentos de supermercados que muitas vezes faziam grandes ofertas. Ele foi de forma geral e atípica”, declarou o vice-presidente da Abras, Márcio Milan, em coletiva de imprensa.
A entidade começou a apurar as razões para o desempenho depois de constatar que a alta não estava concentrada em redes específicas nem em determinadas regiões. Para Milan, a proximidade entre a restrição às apostas e a aceleração das vendas fortalece a hipótese de que recursos antes usados nos jogos tenham sido transferidos para o abastecimento doméstico. “Quando fomos analisando, nós identificamos o que teve de anormal. A única coisa que teve de diferente nesse período foi a proibição das bets”, afirmou.
A Abras também avaliou se mudanças na renda ou nos preços poderiam explicar o aumento, mas não encontrou fatores suficientes para justificar a aceleração. O período analisado antecedeu o pagamento reajustado do Bolsa Família, que começou em 19 de outubro.
Sobre a audiência no STF, Milan disse que a expectativa do setor é que as bets continuem proibidas. “O supermercado vende qualidade de vida, vende saúde, e o que temos observado é que as bets vendem uma doença social”, afirmou.








