Flávio divulgou três versões de nota ao chegar aos EUA

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Flávio Bolsonaro divulgou comunicado nos Estados Unidos após deixar o Brasil. (Foto: Instagram)

Após chegar aos Estados Unidos na manhã de 28.out.2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no 2º turno da eleição presidencial, divulgou um comunicado em que se apresenta como “líder do Brasil”. Uma versão anterior o chamava de “verdadeiro presidente eleito”, expressão substituída cerca de uma hora depois. Ao todo, foram divulgadas três versões do texto.

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Flávio viajou um dia depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes comum e diplomático, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes também havia proibido o senador de deixar o Brasil.

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A primeira versão, divulgada às 16h43, trazia no brasão a grafia “Estados Unidos do Brazil”, com “Z”, usada até 1931. Às 16h56, o documento foi corrigido para o brasão atual, com a inscrição “República Federativa do Brasil”. Nas duas versões, Flávio se declarava “presidente eleito”. Às 17h41, uma terceira edição trocou essa expressão por “líder do Brasil”. O documento foi divulgado pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro nos Estados Unidos. A grafia do brasão mudou em 1931; em 1968, a frase passou a ser “República Federativa do Brasil”.

No comunicado, Flávio afirmou que não deixou o país em fuga, mas por estratégia política, para escapar do que descreveu como perseguição judicial. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, declarou. Sem apresentar provas, também associou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um golpe de Estado e acusou a Suprema Corte de perseguir opositores para silenciá-los.

O senador apontou como argumento a prorrogação do horário de votação no 2º turno, realizado em 25.out.2026. A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu a votação das 17h às 19h por causa de problemas de transporte e chuvas. Embora a medida tenha respondido a um pedido do PT, a campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a extensão. Entre 17h e 19h, foram registrados 34.808 votos.

A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte de Flávio sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar o resultado da eleição, às 21h09 de 25 de outubro. Luiz Inácio Lula da Silva venceu com 64.256.232 votos (51,79%), ante 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. Alexandre de Moraes autorizou a apreensão dos documentos e a proibição de saída do país. Flávio, a mulher e as duas filhas adolescentes deixaram o Brasil por temer possíveis decisões do ministro.

No manifesto, Flávio elogiou Javier Milei e Donald Trump, sustentou que a extensão do horário permitiu a vitória de Lula e afirmou ser alvo de uma “caça às bruxas”. Também se comparou a Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina. Disse que lideraria a oposição dos Estados Unidos e falaria sobre temas que, segundo ele, os brasileiros não poderiam abordar no país.