MP Eleitoral investiga Rueda e Canella por R$ 80 milhões em emendas a Belford Roxo

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Procuradoria Eleitoral do Rio quer cruzar investigações do STF sobre emendas destinadas a Belford Roxo. (Foto: Instagram)

A Procuradoria Eleitoral do Rio de Janeiro quer cruzar investigações do Supremo Tribunal Federal para apurar a atuação de Antônio Rueda e Márcio Canella na destinação de R$ 80 milhões em emendas parlamentares a Belford Roxo, na Baixada Fluminense, entre 2025 e 2026. Ambos são suspeitos de articular os repasses mesmo sem mandato na Câmara à época e de terem se beneficiado dos recursos. Eles foram procurados para comentar as suspeitas, investigadas em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral.

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Com aval do procurador-geral da República, Paulo Gonet, os procuradores eleitorais pediram aos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes o compartilhamento de documentos de duas operações. A Transparência, relatada por Dino, investiga políticos suspeitos de comandar a distribuição de emendas sem ocupar cargos públicos. A Unha e Carne, sob relatoria de Moraes, apura crimes ligados ao Comando Vermelho, como lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e vazamento de informações sigilosas no Rio.

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Rueda foi eleito deputado federal com 155.836 votos, equivalentes a 1,76% dos válidos, enquanto Canella recebeu 197.178 votos, ou 2,24%, para a Assembleia Legislativa. O histórico de investigações envolvendo Canella é apontado como um dos elementos que motivaram a ofensiva dos procuradores. Ele governou Belford Roxo por um ano.

Em julho, Canella foi preso em flagrante por porte ilegal de arma durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. Agentes encontraram em seu veículo um fuzil calibre 5,56 mm, além de R$ 919 mil e US$ 13 mil. O deputado também é investigado por suspeita de participar de um esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões do crime organizado por meio de postos de combustíveis. Após a prisão, abandonou os planos de disputar uma vaga no Senado.

Em 15 de outubro, Canella foi preso novamente pela Polícia Federal. Na análise de seu celular, investigadores encontraram a anotação “Emendas/20 Pedro 20 Mota”, referente a recursos parlamentares. O registro, somado a outros elementos, levou os procuradores a pedir acesso aos documentos que estão no Supremo, para esclarecer a participação de Canella e Rueda na articulação e no envio de verbas federais ao município.

Os procuradores também solicitaram a Dino a resposta do União Brasil à ordem para que partidos com representação no Congresso informassem se participam da definição ou da distribuição de emendas. A determinação ocorreu depois do bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, suspeito de gerenciar esses recursos.

Como a maioria das legendas consultadas, o União Brasil negou que sua direção tivesse cotas, reservas ou titularidade de emendas parlamentares. A resposta também abrange Rueda, que naquele período não ocupava cargo eletivo. Os procuradores querem confrontar a negativa com os dados das investigações e pediram ainda “eventuais outros elementos probatórios já documentados” sobre Rueda, Canella ou parlamentares citados na apuração, que possam esclarecer a indicação, a articulação ou a destinação de recursos a Belford Roxo.