Lideranças yanomami pedem proteção e continuidade de ações ambientais

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Lideranças indígenas cobraram proteção às comunidades yanomami, acesso à água potável e continuidade das políticas públicas durante audiência no Senado. (Foto: Instagram)

Lideranças indígenas cobraram proteção às comunidades yanomami, mais acesso à água potável e continuidade das políticas públicas durante audiência realizada na terça-feira (27.out.2026) pela Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, ligada à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lúcia Alberta Baré, apresentou um plano de recuperação ambiental com previsão de R$ 37,3 milhões em investimentos nos próximos 5 anos.

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Edson Baré, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, defendeu o fortalecimento das parcerias institucionais para manter as iniciativas nas comunidades. Segundo ele, a falta de recursos compromete os projetos, que também dependem do diálogo entre instituições e da participação das prefeituras. Baré reconheceu avanços na educação, mas pediu ampliação do acesso à água potável e alertou para os danos do garimpo aos recursos naturais.

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Waihiri Hekurari Yanomami, presidente da Urihi Associação Yanomami, pediu proteção às comunidades, em especial às crianças, e mais diálogo entre os povos indígenas e os órgãos governamentais. Ele defendeu o apoio do Congresso Nacional às medidas previstas na Constituição e mencionou como prioridades a segurança alimentar, a proteção de crianças e mulheres e as ações de saúde nas comunidades.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da subcomissão e da CDH, afirmou que as audiências públicas e diligências têm contribuído para avanços nas tratativas. Ela disse que fará um levantamento dos recursos destinados pelos órgãos responsáveis à recuperação ambiental. O grupo de trabalho criado pela subcomissão está reunindo dados, informações e relatórios. Damares também anunciou uma audiência pública em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, durante a semana.

Lúcia Baré informou que, entre 2016 e 2024, foram identificados 63,66 km² de florestas e cursos d’água degradados pelo garimpo. O impacto teria alcançado cerca de 63,1% das comunidades indígenas da região: 256 das 406 incluídas no estudo. O plano prevê intervenções em 356,7 hectares nos próximos cinco anos, com R$ 37,3 milhões estimados para o período, e tem como meta recuperar até 1.057,8 hectares em 10 anos.

A Funai firmou parceria com a Universidade de Brasília (UnB) para desenvolver ações de recuperação que considerem a interculturalidade e o diálogo com os povos indígenas. A iniciativa resultou no Plano de Recuperação Ambiental Yanomami Ye’kwana, elaborado com a participação de lideranças e pajés. O documento identifica áreas degradadas e efeitos como poluição dos rios por mercúrio, redução de caça e peixes e ruído das máquinas, que afasta animais e agrava a insegurança alimentar. A previsão é que a recuperação leve 10 anos.

Na área de assistência social, Mônica Alves Silva, coordenadora-geral de Relação do Suas com os Sistemas de Justiça e Garantia de Direitos, apresentou medidas de proteção à vida e à saúde, combate ao garimpo ilegal e atendimento a comunidades em emergência de saúde pública. Entre as ações estão a contratação de 25 educadores sociais indígenas yanomami para equipes do Suas nos estados e a emissão de 204 certificados de participação em oficinas promovidas pelo ministério. Ela afirmou que as iniciativas podem favorecer a participação comunitária e melhorar os serviços.

Alex Sandro Lopes Cordeiro, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, destacou ações interculturais para ampliar a participação indígena na formulação e execução de políticas públicas. Também participaram da audiência Edimara Travassos, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Combate à Fome do Amazonas; Dayane Azevedo, da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social de Roraima; e Mateus Ricardo Sanuma, presidente da Ypassali Associação Sanuma.