França reúne 320 mil em atos; mobilização da Geração Z decepciona na Alemanha

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Protestos contra o custo de vida reuniram cerca de 320 mil pessoas na França, enquanto os atos da Geração Z na Alemanha tiveram adesão abaixo do esperado. (Foto: Instagram)

A França registrou neste sábado, 31, protestos contra a alta do custo de vida que reuniram cerca de 320 mil pessoas em aproximadamente 30 cidades, segundo o Ministério do Interior. Na Alemanha, a mobilização da Geração Z ficou muito abaixo das expectativas, embora também expresse preocupações com moradia, trabalho e estabilidade econômica.

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Os organizadores franceses estimaram a participação em meio milhão de pessoas, segundo sindicatos estudantis, e até 800 mil, de acordo com a CGT. Em Paris, a polícia calculou 70 mil manifestantes, enquanto os organizadores falaram em 200 mil. Os atos começaram no fim de setembro, com estudantes denunciando a deterioração de escolas e universidades públicas, e passaram a incluir reivindicações sobre preços, poder de compra e serviços públicos.

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As manifestações deste sábado foram menores que as anteriores: em 17 de outubro, o governo contabilizou cerca de 550 mil participantes em todo o país; em 24 de outubro, foram 410 mil. Após episódios de violência, vandalismo e saques, sobretudo em Paris e Marselha, o governo reforçou a segurança e restringiu temporariamente a circulação em áreas da capital. Para os atos do dia 31, considerados de alto risco, foram mobilizados cerca de 70 mil agentes, além de veículos blindados, drones e helicópteros. As autoridades também adotaram medidas preventivas diante de mensagens nas redes sociais que incentivavam tumultos durante as celebrações de Halloween.

Ao menos 422 pessoas foram presas após confrontos em diferentes cidades. Em Lyon, manifestantes ergueram barricadas e a polícia usou gás lacrimogêneo; em Marselha, contêineres foram incendiados. Em Toulouse, agentes utilizaram canhões de água, enquanto em Paris pedras, garrafas e fogos de artifício foram lançados contra policiais. Os protestos foram convocados por sindicatos, estudantes, secundaristas e pelo movimento dos “coletes amarelos”.

Na Alemanha, os atos ocorreram após temores de que a violência francesa se espalhasse pelo país. Comerciantes protegeram vitrines, mas a maioria das manifestações foi pacífica. Embora mais de 180 mil pessoas tivessem se registrado para participar, apenas alguns milhares foram às ruas. Em Berlim, a polícia estimou 5 mil manifestantes no Portão de Brandemburgo, com cerca de 1.500 policiais mobilizados. Em Munique, aproximadamente 4 mil pessoas protestaram diante da Universidade Ludwig Maximilian, sem incidentes relevantes.

Em Hamburgo, alguns manifestantes lançaram fogos de artifício e barreiras de obras contra policiais; cercas foram arrancadas perto da estação central e parte do material foi incendiada. A polícia usou spray de pimenta e mobilizou um canhão de água. Em Colônia, o percurso foi cancelado após o uso de artefatos pirotécnicos e a presença de pessoas com o rosto coberto. Depois, houve confrontos isolados, e agentes dispersaram a multidão com efetivos reforçados e dois canhões de água.

Jovens manifestantes apontam o custo elevado dos aluguéis, a dificuldade de obter moradia, a precarização do trabalho e o receio de viver pior que as gerações anteriores. Especialistas ouvidos pela emissora pública alemã ARD avaliam que a mobilização combina pautas ambientais com demandas econômicas e sociais imediatas, diferentemente de movimentos anteriores mais centrados no clima, como o Fridays for Future. Pesquisadores também relacionam a insatisfação à percepção de que governos e partidos tradicionais não oferecem respostas rápidas sobre universidade, emprego e habitação.