Ataques cibernéticos atingem aplicativos de alerta de emergência na Rússia e na Ucrânia

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Aplicativos oficiais de alerta da Ucrânia e da Rússia foram invadidos e enviaram avisos falsos sobre ataques. (Foto: Instagram)

Ucrânia e Rússia disseram que seus aplicativos oficiais de alerta de emergência foram invadidos na noite de domingo (1/11), enviando avisos falsos sobre ataques aéreos, nucleares e químicos. Pouco antes das 23h locais (18h em Brasília), o Air Alert, serviço de alertas mais usado na Ucrânia, disparou avisos vermelhos em todo o país. Moradores de Kiev também receberam mensagens sobre radiação, ameaça química e confrontos de rua.

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Os primeiros avisos foram enviados por volta das 22h47, começando por Kiev, com a mensagem “Ameaça de radiação”. Às 22h48, um texto em russo anunciou um alerta nuclear em toda a Ucrânia e mencionou o Oreshnik, míssil balístico russo de alcance intermediário que pode carregar ogivas nucleares ou convencionais. Depois, mensagens em ucraniano alertaram sobre ameaça química e confrontos de rua na capital, orientando os moradores a não sair de casa.

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Às 23h53, usuários que haviam recebido os alertas de Kiev receberam mensagens informando que as ameaças tinham sido eliminadas. A Agência Central de Inteligência da Ucrânia afirmou no Telegram que os avisos também acionaram alto-falantes de risco radiológico na região de Lviv, mas não havia ameaça de radiação. A agência pediu que a população consultasse outras fontes para verificar informações sobre ataques aéreos. O Ministério da Transformação Digital suspendeu temporariamente o Air Alert para manutenção após o aplicativo aparentemente ter sido comprometido.

O pesquisador de política e segurança cibernética da Universidade Stanford Herbert Lin afirmou que suspeitava ser a primeira invasão desse tipo contra um aplicativo oficial de informações ucraniano, mas que talvez não fosse a última. Oleksander Merezhko, presidente da comissão de relações exteriores do Parlamento ucraniano e integrante do partido Servo do Povo, de Volodymyr Zelensky, disse que os avisos não causaram pânico. Segundo ele, moradores de Kiev estão habituados a alertas frequentes, e o fato de a mensagem estar em russo levantou suspeitas. O Centro Ucraniano de Combate à Desinformação recomenda ativar notificações no celular, prestar atenção às sirenes e consultar fontes oficiais.

Poucas horas depois, o Ministério de Situações de Emergência da Rússia também informou que seu aplicativo havia sofrido um “ataque cibernético massivo”, que enviou informações falsas ao público. A agência ucraniana UNN atribuiu os falsos alertas nucleares ao Atesh, grupo ucraniano que atua em território controlado pela Rússia. Uma captura de tela compartilhada pelo grupo no Telegram dizia que ogivas nucleares instaladas em drones P1-Sun haviam sido lançadas contra todas as regiões russas e aconselhava moradores a estocar comida para três semanas e se esconder.

O ministério russo afirmou que especialistas trabalhavam para restabelecer o funcionamento normal do aplicativo, mas que o ataque não afetou o sistema geral de alerta do país. Segundo o comunicado, a população também recebe avisos por sirenes, alto-falantes, mensagens de texto e transmissões de televisão e rádio; o aplicativo seria apenas um serviço complementar. Líderes regionais ucranianos também disseram que não havia ameaça local. Svitlana Onyshchuk afirmou que a situação estava calma em Ivano-Frankivsk, enquanto Natalya Zabolotna alertou moradores de Vinnytsia para não clicarem no link da mensagem, que poderia ser uma tentativa de phishing.

Os alertas ocorreram poucos minutos antes do fim de um cessar-fogo localizado na região de Kherson, na linha de frente, iniciado na terça-feira anterior e encerrado oficialmente às 23h de domingo. A trégua permitia a evacuação de civis da cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia, embora os combates continuassem em outros locais. A Rússia iniciou uma invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.