
André Lara Resende defende reduzir a Selic para 7,5% ao ano em 12 meses (Foto: Instagram)
O economista André Lara Resende defende que a Selic, taxa básica de juros, seja reduzida a 7,5% ao ano no prazo de 12 meses. Um dos formuladores do Plano Real, ele apresentou a proposta em artigo publicado em 25 de setembro de 2026, com o título “Eu acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”.
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No texto, publicado na plataforma Substack, Lara Resende recorre à Teoria Fiscal de Nível de Preços (TFNP), tema ao qual já havia se referido. Segundo sua avaliação, a política monetária atual do Banco Central (BC) é ineficaz para reduzir a inflação. A proposta prevê mudanças na definição das metas e na condução dos juros.
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O economista sugere criar o Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), responsável por estabelecer metas fiscais e monetárias para períodos de 4 a 5 anos. O novo órgão definiria metas de inflação, como faz atualmente o Conselho Monetário Nacional (CMN), e também uma meta para a Selic. Para Lara Resende, os juros ficariam entre a meta de inflação, hoje em 3% ao ano, e o crescimento nominal potencial do Produto Interno Bruto, estimado por ele em torno de 5,5% ao ano.
A proposta acrescenta um spread de segurança de 2 pontos percentuais, que seria reavaliado periodicamente e reduzido até ser eliminado. Com esse adicional, a meta inicial para os juros seria de 7,5% ao ano. O BC anunciaria um cronograma de 12 meses para baixar a Selic gradualmente até esse patamar.
Lara Resende também defende que o BC atue no câmbio para evitar uma valorização excessiva do dólar ante o real provocada pela saída de recursos do país. Ele afirma que as reservas de US$ 350 bilhões dão ao banco munição suficiente para agir. Na avaliação do economista, a redução das despesas do governo com juros poderia equivaler a 4% do PIB ao ano, levando o déficit fiscal de mais de 10% para cerca de 6% do PIB e restabelecendo a credibilidade fiscal de longo prazo, sem provocar uma recessão profunda.
Para sustentar seu argumento, o economista cita John Cochrane, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Segundo Lara Resende, Cochrane afirma que uma política monetária contracionista não reduz a inflação quando não é acompanhada por uma política fiscal compatível. Lara Resende argumenta que, sem contração fiscal simultânea, a alta dos juros pode elevar a inflação, diante da perda da capacidade do Estado de pagar a dívida.
Economistas que não defendem a TFNP também apontam que as políticas monetária e fiscal precisam ser combinadas para reduzir a demanda agregada e evitar uma alta acentuada dos preços. Essa coordenação, segundo essa avaliação, permitiria ao BC baixar a Selic sem alterar a meta. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, afirmou que o risco de recessão em 2027 aumenta se o governo não cortar gastos; caso haja redução das despesas, ele avalia que o crescimento econômico será maior.








