
A Finlândia aprovou o primeiro depósito geológico definitivo do mundo para resíduos nucleares altamente radioativos, após cerca de 40 anos de trabalho. (Foto: Instagram)
A Finlândia aprovou o primeiro depósito geológico definitivo do mundo para resíduos nucleares altamente radioativos, após cerca de 40 anos de trabalho. A instalação fica a 400 metros de profundidade, na ilha de Olkiluoto, no oeste do país, perto de uma das duas usinas nucleares finlandesas. A Alemanha, como a maioria dos países que possuem ou já tiveram usinas, ainda procura um local para seus rejeitos.
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A destinação de resíduos radioativos continua sem solução em grande parte dos 31 países que têm ou tiveram usinas nucleares, embora a primeira grande instalação do tipo tenha começado a operar em 1954, na Rússia. Na Alemanha, a busca por um local subterrâneo é conduzida há dez anos pela Sociedade Federal para Depósitos Finais (BGE), criada especificamente para essa tarefa. Especialistas concordam que elementos combustíveis usados precisam ser isolados no subsolo, pois continuam emitindo radiação por milhares de anos.
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A previsão é que a procura alemã se estenda até 2050, mas o ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, quer avaliar se o prazo pode ser reduzido. A BGE considera que apenas 5% do território do país ainda pode abrigar um depósito, em áreas distribuídas por 11 dos 16 estados federados. O órgão mantém conversas com geólogos, especialistas em energia nuclear, físicos, cidadãos e políticos. A Alemanha também decidiu que seus resíduos permanecerão no país, sem envio ao exterior.
Os rejeitos estão atualmente guardados nas áreas das 19 antigas usinas nucleares, que passam por desmantelamento, e em algumas instalações de pesquisa. O país decidiu abandonar gradualmente a energia nuclear comercial em 2011, após o desastre de Fukushima, no Japão. A última usina alemã foi desligada em 2023, mas os resíduos permaneceram nos locais. Um dos entraves é demonstrar que a instalação será segura por períodos muito longos: 1 milhão de anos na Alemanha, Suíça e França, contra 100 mil anos na Finlândia.
A seleção considera aspectos geológicos, como a estabilidade das rochas a 400 metros de profundidade e o risco de contaminação das águas subterrâneas. A meta é encontrar uma área protegida por cerca de 100 metros de rocha, que atuaria como barreira natural. Argila, granito e sal-gema estão entre as formações avaliadas. Os critérios são refinados ao longo do processo, reduzindo as opções; fatores como a proximidade de grandes cidades são considerados em etapas posteriores.
A resistência dos moradores é outro desafio. Dagmar Dehmer, porta-voz da BGE, afirma que parte do trabalho consiste em construir confiança e explicar a necessidade de lidar com os resíduos deixados pela era nuclear. Ela aponta a experiência finlandesa como referência, destacando a confiança nas instituições e na autoridade reguladora Stuk, além da continuidade das decisões e da paciência ao longo de gerações.
A busca pelo local e o armazenamento provisório custam à Alemanha cerca de 1,4 bilhão de euros por ano. Especialistas estimam que construir e operar o depósito definitivo custará aproximadamente 14 bilhões de euros. A expectativa é que, ao final do processo, 28 mil m³ de resíduos radioativos sejam armazenados de forma permanente e segura no subsolo.








