Democratas obtêm maioria no Congresso dos EUA e causam derrota histórica a Trump

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Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e impõem uma derrota histórica a Donald Trump nas eleições de meio de mandato. (Foto: Instagram)

O Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), e impôs uma derrota histórica ao presidente republicano Donald Trump. A vitória alterou o equilíbrio de forças em Washington e dificultará a aprovação de projetos de interesse do governo.

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A chamada “onda azul”, que já era esperada como um avanço expressivo da oposição, também alcançou governos estaduais tradicionalmente controlados pelos republicanos. Com a apuração ainda em curso, os democratas garantiram 54 das 100 cadeiras do Senado, contra 44 dos republicanos; duas disputas, no Alasca e no Mississippi, permaneciam indefinidas.

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Na Câmara, os democratas já haviam assegurado 228 cadeiras, ante 139 dos republicanos, enquanto outros 68 assentos aguardavam definição. Segundo a NBC News, a legenda deve chegar a 258 cadeiras, sua maior margem em 30 anos. A projeção representa uma perda de 43 vagas para os republicanos, que ficariam com 177. Em 2018, Trump havia perdido 42 cadeiras nas eleições de meio de mandato. O resultado projetado supera a marca democrata desde 1993, quando Bill Clinton assumiu a Presidência; naquele ano, eram necessárias 218 cadeiras para controlar a Câmara.

Entre os resultados de destaque está a eleição de Abdul El-Sayed para o Senado por Michigan, após derrotar o republicano Mike Rogers, segundo projeções da Decision Desk HQ. Ele se tornou o primeiro muçulmano a conquistar uma cadeira no Senado americano. Os democratas também venceram em 25 distritos da Câmara que estavam sob controle republicano e avançaram em disputas estaduais. No Texas, Gina Hinojosa derrotou o então governador Greg Abbott, encerrando décadas de domínio republicano. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher afro-americana eleita para governar o estado.

Outras vitórias democratas ocorreram em Ohio, onde Amy Acton derrotou Vivek Ramaswamy, e em Iowa, com a eleição de Rob Sand. Na Califórnia, Xavier Becerra permaneceu no governo estadual, e Jocelyn Benson foi reeleita em Michigan. Entre os republicanos, Byron Donalds venceu na Flórida, enquanto Sarah Huckabee Sanders confirmou sua permanência no governo do Arkansas, reduzindo parcialmente as perdas do partido.

Após o resultado, Trump afirmou que o aceitaria e demonstrou disposição para negociar com os adversários. Em entrevista ao jornal “The New York Times”, disse estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados” e que buscaria entendimentos com os democratas. A declaração contrastou com falas anteriores à votação, quando questionou a legitimidade de um resultado desfavorável e condicionou o reconhecimento a eleições “limpas”. Depois, publicou nas redes sociais a imagem de um boné inspirado no movimento MAGA com a palavra “Veto” e sugeriu que o desfecho seria diferente se seu nome estivesse nas cédulas.

A derrota também repercutiu no exterior. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, escreveu na rede social X que os americanos disseram “não à guerra”, em referência à insatisfação com a política externa de Washington e à guerra no Irã. O aumento do custo de vida também foi apontado como um dos fatores que impulsionaram o avanço democrata.