
Herzog inicia consultas para buscar uma coalizão e evitar novo impasse político em Israel. (Foto: Instagram)
O presidente de Israel, Isaac Herzog, começou nesta quarta-feira (4) consultas com os partidos eleitos e pediu que as lideranças encontrem uma saída negociada para evitar novo período de paralisia. A votação legislativa de 27 de outubro não definiu maioria: o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu obteve 53 das 120 cadeiras da Knesset, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot conquistou 48. São necessários 61 deputados para governar sozinho.
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Eisenkot afirmou que, se formar governo, pretende “renovar e fortalecer as relações” com os Estados Unidos e consolidar a parceria bipartidária entre os dois países. Em publicação na rede X, disse estar disposto a trabalhar de maneira construtiva com o presidente Donald Trump para reforçar a estabilidade regional. Herzog pediu criatividade e disposição para negociar; as reuniões continuam na quinta-feira (5), e ele terá até 11 de novembro para indicar um parlamentar encarregado de tentar formar uma coalizão.
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As legendas árabes ganharam importância decisiva nas conversas: juntas, conquistaram 19 cadeiras, o melhor resultado em anos. Somadas ao bloco de Eisenkot, poderiam alcançar 67 assentos. O Raam, que obteve oito cadeiras, informou que recomendará o centrista para primeiro-ministro nas consultas com Herzog. Apesar da matemática favorável, integrantes da oposição resistem a uma aliança com partidos árabes, uma questão sensível desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Os cidadãos árabes representam cerca de 20% da população israelense e têm cidadania e representação parlamentar, mas enfrentam uma posição delicada no debate político, sobretudo em períodos de conflito. Netanyahu passou a acusar as legendas de serem “apoiadoras de terroristas” e de quererem “islamizar Israel”. Os partidos rejeitaram as acusações e classificaram o discurso do premiê como racista. Aliados de Netanyahu também alegaram, sem apresentar provas, que houve compra de votos com dinheiro do Catar.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, pediu que o Shin Bet interrogue dirigentes árabes e defendeu a prisão deles para serem ouvidos pelo serviço de segurança interna. A Comissão Eleitoral contestou as denúncias de fraude. Seu presidente, o juiz Noam Sohlberg, alertou para o risco de desacreditar o processo; após verificações, o órgão afirmou não ter encontrado irregularidades ou provas de alteração dos resultados. Herzog condenou declarações racistas contra a minoria árabe.
A oposição tenta transformar o impasse em uma discussão sobre o futuro político do país. Yaïr Golan, líder de centro-esquerda do partido Os Democratas e integrante do bloco de Eisenkot, defendeu o fim da era Netanyahu, que considera “perigosa para Israel”. Ele afirmou que a permanência do premiê pode ampliar o isolamento internacional e expor o país a sanções. Golan relacionou o alerta ao avanço democrata nos Estados Unidos e às críticas de setores do partido à guerra em Gaza e às vítimas civis.








