Possível candidato em 2028, JD Vance liga derrota republicana à guerra contra o Irã

Posted by

–


Derrota republicana nas eleições legislativas amplia pressão sobre Trump para encerrar a guerra contra o Irã. (Foto: Instagram)

A derrota dos republicanos nas eleições legislativas dos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), colocou a guerra contra o Irã no centro do debate em Washington. Após os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, integrantes do governo e líderes da oposição apontaram o conflito como um dos fatores do resultado. O vice-presidente JD Vance atribuiu diretamente o revés à guerra.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

Donald Trump reconheceu, em entrevista ao Wall Street Journal, que “o Irã fez parte” da equação eleitoral, mas relacionou o desgaste principalmente à alta dos preços do petróleo. O presidente defendeu sua decisão de iniciar a ofensiva: “Não penso nisso. Tomei a decisão correta. Faria novamente se fosse necessário”. Inflação, energia e gastos militares estiveram entre as preocupações dos eleitores.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Vance, apontado como possível candidato republicano à Presidência em 2028, declarou que “a guerra no Irã é a razão da derrota”. A afirmação expôs a discussão sobre os custos políticos da estratégia da Casa Branca. Durante a votação, eleitores também relacionaram o conflito às dificuldades econômicas. Gabrielle Schlueter, aposentada de 69 anos que vive na Geórgia, afirmou: “Estarmos em plena guerra não traz muitas vantagens”.

Para Sina Toossi, do Centro de Estudos Internacionais de Washington, os eleitores querem alívio dos custos econômicos da guerra, e não uma ampliação do conflito. O analista considera que Trump enfrenta um impasse: intensificar as operações não oferece uma rota clara para a vitória e pode agravar os problemas do governo. Todd Belt, professor da Universidade George Washington, também observou que muitos norte-americanos associaram a guerra à perda de poder de compra.

A vitória deu mais força aos democratas, que passaram a cobrar o encerramento das operações. Na quarta-feira (4), os líderes no Congresso Hakeem Jeffries e Chuck Schumer pediram o fim do conflito. “O povo norte-americano não sabe por que estamos lutando no Irã. Essa guerra precisa acabar”, disse Schumer. Com o controle das duas casas, os democratas podem aumentar a pressão sobre o governo e exigir explicações sobre os objetivos militares.

No Irã, o resultado também foi acompanhado de perto. O negociador-chefe Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou, na rede X, que os norte-americanos disseram “NÃO À GUERRA”, por consciência ou pelo custo de vida. Já o líder supremo Mojtaba Khamenei advertiu que aqueles que esperam uma mudança automática na política dos Estados Unidos estão “profundamente equivocados”.

A Casa Branca enfrenta o dilema enquanto aumentam as especulações sobre novas operações. Trump disse estar disposto a desferir um “golpe devastador” contra o Irã, e forças norte-americanas bombardearam uma ilha iraniana na madrugada de terça-feira (3). Segundo Toossi, uma escalada poderia provocar uma resposta iraniana de grandes proporções, abalar a economia global e aprofundar divisões republicanas. Com o Congresso sob controle democrata, Trump precisa decidir se busca uma saída ou amplia um conflito associado pelos eleitores às dificuldades econômicas.